João Frade

O novo disco, homónimo, de João frade reafirma e reforça, com vincada maturida, tendências estéticas j´aenraizadas na identidade e percurso do inspirador músico algarvio e, por outro lado, pisca o olho a alguns novos caminhos sonoros no sentido da adopçãp de uma linguagem ainda mais eclética e cosmopolita. 

Se a matriz etno jazz é incontornável neste álbum (que conta com a preciosa assinatura de Munir Hossn na produção executiva), a aproximação a um universo mais pop e a registos e esquemas minimalistas e repetitivos está igualmente presente nesta viagem explorativa por diversos imaginários e cores musicais em busca como que de uma "pureza melódica". 

É um ambiente de festa, contagiante e pleno de vivacidade, com diversos aromas, sentidos e matizes em diálogo e interpenetração, que percorre muitas faixas deste disco, caso dos primeiros quatro temas ou de "Quilha" e "Mestiço", sempre com uma secção ritmica (bateria e baixo) muito participativa e ornamentada em termos melódicos, ao nível dos arranjos e da relação harmoniosa com o acordeão — a já apurada cumplicidade de Frade com Munir Hssn e Michael Olivera (virtuosos músicos que acompanham o acordeonista algarvio neste álbum) é aqui bem evidente. Recorde-se ainda que João Frade é um confesso apaixonado, desde os tempos de infância, pelo universo da percussão. 

O prazer da partilha colectiva, da primazia da formação em banda ao invés do acordeão solitário, bem como da genuína vontade de João Frade de "dar espaço ao outro", deixando a personalidade e dinâmica dos demias músicos (co)existirem para que um possa contribuir para a construção conjunta da história, são traços que ressaltam igualmente deste trabalho discográfico. Daí também o grande potencial performativo que se entrevê/advinha na sua transposição para um contexto de palco, ao vivo — aliás, não fossem de luxo também os convidados especiais que João Frade desafiou para esta nova criação: Leo Genovese (piano), ricardo Toscano (saxofone), Adriano DD (percussão) e Miron Rafajlovic (trompete). 

Esta intencionalidade de cruzar o acordeão com outros instrumentos e de maximizar essa proficua síntese musical é bem evidente em vários momentos deste disco, como sejam, por exemplo, as faixas "PAndora" (com os dessenhos e slappings do baixo eléctrico, o solo do trompete, as linhas da guitarra eléctrica ou o recurso à electrónica) e "Quilha", expressão popular que traduz a espinha dorsal de uma embarcação. Diriamos mesmo que estes dois termos, pela sua riqueza melódica e bom gosto ao nível da conjugação e quilíbrio entre as várias dimensões/estratos musicais, constituem porventura duas das paragens mais emblemáticas e cativantes da viagem para a qual João Frade nos convida. 

João Frade e a sua "máquina de vento" convocam-nos neste álbum para uma sonoridade aberta a novos horizontes, em que o criativo intérprete nascido a sul, em Albufeira, revela mais uma vez a sua paixão pela dimensão harmónica e pela música improvisada sem esquecer, contudo, os labirintos e fascínios (sempre reinventados) das vozes da terra e do espírito dos lugares. Talento técnico, humildade, ousadia e foco artístico fazem dele já uma figura de referência no panorama da música instrumental produzida em Portugal na vertente do acordeão. "Por Paulo Pires"

Ouça o álbum aqui: https://open.spotify.com/album/5dY1hy2TVzUYg2vbv610pY

Solilóquio é o titulo do anterior disco de João Frade, trabalho, este, criado de raiz e gravado durante uma residência artística no centro Musibéria em Serpa e lançado em fevereiro de 2019 e que nos leva por uma viagem ao imaginário musical do artista onde os melhores condimentos da cultura Ibérica se concentram e se fundem com outras influencias também elas bastante presentes no seu percurso artístico como o caso da musica improvisada, erudita e world music.

 

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